

Para além de reconhecer nas suas Confissões que «sem amigos não podia ser feliz», afirmação esta que unida às muitíssimas outras alusões nos seus escritos nos permite entender que a amizade constituiu sempre uma das suas coordenadas vitais, Agostinho eleva esta categoria à sua máxima expressão quando unida à Verdade que é Jesus Cristo: «amizade verdadeira». Com efeito, a amizade que ele próprio havia experimentado durante os albores da adolescência fizeram-no entender, depois da conversão, que quando este sentimento e qualidade não se alia a um crescimento sério e sustentado no amor honesto a Deus, a si mesmo e aos demais, pode desembocar na maldade e perversão.
“Em primeiro lugar —já que com este fim vos congregastes em comunidade—, vivei unânimes na casa e tende uma só alma e um só coração orientados para Deus. E não considereis nada como próprio, senão que tudo vos seja comum (…). Já que assim o ledes nos Atos dos Apóstolos: tinham todas as coisas em comum e tudo se distribuía segundo a necessidade de cada um.”