O Movimento Encontros de Jovens Shalom (MEJSh) nasceu num período de profundas transformações sociais e eclesiais, motivadas pelo Concílio Vaticano II (1962 – 1965). Inspirada pelo apelo da Igreja para que os jovens assumissem um papel ativo, a ideia ganhou forma em 12 de fevereiro de 1967, em Huambo (antiga Nova Lisboa), Angola.
Nesse dia, o então seminarista Luís Carlos Garcia de Castro reuniu 250 jovens num encontro que marcaria o início de uma nova visão para a juventude: uma evangelização como processo contínuo, sustentada pela Educação Permanente na Fé. Num contexto de guerra, os jovens encontraram no MEJSh um espaço de esperança, reflexão e ação, onde eram valorizados como indivíduos e incentivados a transformar as suas realidades.
Em 1967, quando o Papa Paulo VI instituiu o Dia Mundial da Paz, a palavra “paz” tornou-se um tema central para os jovens do MEJSh, que viviam em meio à guerra colonial. Durante uma reflexão conjunta, descobriram o significado profundo da palavra hebraica “Shalom”, que representa muito mais do que a ausência de conflitos.
Shalom significa integridade, bem-estar, harmonia, plenitude e bênção. É um desejo de riqueza, felicidade, salvação e vida. Impressionados por esse conceito, os jovens passaram a usar “Shalom” como saudação e, pouco depois, adotaram-no como nome do movimento. Essa palavra passou a simbolizar o seu compromisso com a paz interior, a transformação pessoal e a renovação da sociedade.
Após a independência de Angola e o êxodo de muitos participantes em 1974, o MEJSh ultrapassou fronteiras. Jovens que haviam vivenciado os encontros em Angola levaram essa experiência para Portugal, onde o movimento começou a renascer. No Brasil, a comunidade iniciou o processo após ser acolhida por Dom Aluísio Lorscheide.
Em 1976, na paróquia de Algés, realizou-se o primeiro Encontro de Jovens em Portugal. Desde então, o MEJSh espalhou-se por várias localidades, como Damaia, Entroncamento, Braga e Torres Novas. O movimento nunca se apresentou como uma estrutura massiva, mas como uma rede de pequenos grupos paroquiais, inseridos na realidade local e comprometidos com a formação integral e a espiritualidade.